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Monte das Oliveiras
AT e NT · Jerusalém

Monte das Oliveiras

O monte ao leste de Jerusalém de onde Jesus ensinou, chorou sobre a cidade, ascendeu ao céu e do qual voltará segundo as profecias. O Monte das Oliveiras é o ponto de encontro entre a história e a eternidade.

Irmão Edson Santos
Escrito por Irmão Edson Santos Professor e pesquisador das Escrituras
28/07/2026

O Monte das Oliveiras — em hebraico Har HaZeitim — é uma cadeia de colinas que se eleva ao leste de Jerusalém, separada da cidade pelo Vale do Cedrom. Com cerca de 826 metros de altitude, era coberto de oliveiras na antiguidade — o que lhe deu o nome — e serviu como local de oração, ensinamento, profecias e eventos decisivos no ministério de Jesus.

Davi e o Monte das Oliveiras

O Monte das Oliveiras aparece pela primeira vez com destaque em 2 Samuel 15, quando Davi foge de Jerusalém durante a rebelião de seu filho Absalão. "Davi subia o monte das Oliveiras, chorando enquanto caminhava, com a cabeça coberta e os pés descalços" (2 Sm 15.30). É uma cena de humilhação e dor — o rei ungido, despojado de seu trono pelo próprio filho, subindo descalço pela montanha enquanto chora. O Monte das Oliveiras foi cenário de tristeza real para Davi, séculos antes de Jesus.

A Profecia de Zacarias

O profeta Zacarias escreveu que no dia final, "os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras, que está em frente de Jerusalém do lado oriental; e o monte das Oliveiras se fenderá ao meio" (Zc 14.4). Essa profecia está no centro da esperança messiânica judaica — razão pela qual o cemitério do Monte das Oliveiras (o maior cemitério judaico do mundo, com mais de 150.000 túmulos) é o lugar de sepultamento mais desejado: seus ocupantes serão os primeiros a ressuscitar quando o Messias pisar ali.

Jesus e o Monte das Oliveiras

Jesus frequentou o Monte das Oliveiras regularmente. Era seu lugar de recolhimento e oração. Lucas 21.37 registra que "de dia ensinava no Templo, e à noite saía e pousava no monte chamado das Oliveiras." Era sua habitação noturna durante a Semana Santa.

Foi do Monte das Oliveiras que Jesus viu Jerusalém e chorou sobre ela: "Se tu conhecesses, ao menos neste teu dia, as coisas que são para a tua paz! Mas agora estão escondidas dos teus olhos" (Lc 19.41-42). O lamento de Jesus sobre Jerusalém — a cidade que matava os profetas — é um dos momentos mais humanamente comoventes dos Evangelhos.

O Discurso Escatológico

Foi "sentado no Monte das Oliveiras" que Jesus proferiu o maior discurso profético dos Evangelhos (Mt 24-25). Diante de Jerusalém e do Templo à sua frente, respondeu às perguntas dos discípulos sobre quando seriam destruídas as pedras do Templo e quais seriam os sinais da sua vinda. O discurso inclui a parábola das dez virgens, a parábola dos talentos e a cena do julgamento final — tudo proferido do alto desse monte, com o Templo visível ao fundo.

A Ascensão

Depois da ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos por quarenta dias e os conduziu até Betânia, no Monte das Oliveiras. Ali, "levantando as mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os, se apartou deles e foi elevado para o céu" (Lc 24.50-51). Dois anjos apareceram e disseram: "Este mesmo Jesus, que dentre vós foi recebido acima no céu, assim virá como o tendes visto ir para o céu" (At 1.11).

O Monte das Oliveiras é assim o lugar da partida e da promessa de retorno. Da mesma montanha de onde Jesus ascendeu, ele voltará — cumprindo tanto a profecia de Zacarias quanto as palavras dos anjos. O monte guarda, em suas oliveiras milenares e em seus túmulos escalonados, a expectativa de um encontro que ainda está por vir.

O Monte das Oliveiras nas Profecias Finais

A convergência de eventos no Monte das Oliveiras — lamento de Davi, ensinamento de Jesus, Getsêmani, ascensão, promessa de retorno, profecia de Zacarias — faz desse monte um dos lugares mais carregados de expectativa escatológica de toda a Bíblia. Judeus, cristãos e muçulmanos o consideram sagrado por diferentes razões, e os três monoteísmos associam eventos decisivos do fim dos tempos a essa elevação de terra ao leste de Jerusalém. O cemitério do Monte das Oliveiras, com seus sepulcros brancos escalonados pela encosta, é visível de qualquer ponto elevado de Jerusalém. É uma imagem que resume a esperança judaica: estar próximo do lugar onde o Messias pisará, para ser um dos primeiros a ressuscitar. E para o cristão que conhece a narrativa completa, o monte fala ao mesmo tempo de partida e de retorno, de lamento e de glorificação, de história humana e de destino eterno.

Do Monte das Oliveiras, Jesus viu Jerusalém e chorou. Da mesma montanha, ascendeu ao céu. E da mesma montanha voltará. Nenhum outro lugar geográfico carrega simultaneamente lágrimas, ascensão e promessa de retorno. O Monte das Oliveiras convida o crente a habitar, com Jesus, a tensão entre o que já foi e o que ainda virá — entre o lamento pelo presente e a esperança do futuro.

O Mosteiro da Ascensão, construído no cume do Monte das Oliveiras sobre o local tradicional da ascensão de Jesus, marca o ponto onde o visível se encontrou com o invisível pela última vez nesta era. Ali onde os discípulos ficaram olhando para o céu, os anjos os chamaram de volta à missão terrena. O Monte das Oliveiras é o lugar que ensina que a esperança do retorno de Cristo não é fuga do mundo, mas motivação para nele permanecer e trabalhar.

Irmão Edson Santos

Irmão Edson Santos

Professor de Língua Inglesa e pesquisador das Escrituras, com anos de dedicação ao estudo bíblico e ao ensino da fé cristã. Este conteúdo é fruto de estudo cuidadoso das fontes primárias, comentários e literatura exegética.

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