O Mar da Galileia — também chamado de Lago de Genesaré, Mar de Quinarete ou Lago de Tiberíades — é um lago de água doce no norte de Israel, alimentado pelo Rio Jordão. Com cerca de 21 km de comprimento e 12 km de largura, é o lago de água doce mais baixo do mundo (aproximadamente 210 metros abaixo do nível do mar) e o segundo mais baixo depois do Mar Morto. No primeiro século, suas margens eram densamente habitadas e economicamente prósperas, sustentadas principalmente pela indústria pesqueira.
O Chamado dos Primeiros Discípulos
Foi às margens do Mar da Galileia que Jesus chamou seus primeiros seguidores. Pedro e André, irmãos e pescadores, estavam lançando a rede quando Jesus os chamou: "Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens" (Mt 4.19). Imediatamente abandonaram as redes. Pouco adiante, Tiago e João remendavam as redes com seu pai Zebedeu — e também os deixaram para seguir Jesus. Quatro pescadores galileus se tornaram os primeiros apóstolos de um movimento que mudaria o mundo.
A Tempestade Acalmada
Uma das cenas mais dramáticas dos Evangelhos ocorre no Mar da Galileia. Jesus e os discípulos estão numa barca atravessando o lago. Jesus adormece. Uma tempestade violenta levanta ondas que ameaçam engolfar a embarcação. Os discípulos, vários deles pescadores experientes que conheciam bem essas águas, entram em pânico e acordam Jesus: "Mestre, não te importas que pereçamos?" Ele se levanta, repreende o vento e diz ao mar: "Cala-te, aquieta-te." E houve grande bonança (Mc 4.39). A pergunta que se seguiu entre os discípulos resume o espanto: "Quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?"
Caminhando Sobre as Águas
Numa noite após a multiplicação dos pães, Jesus ordenou que os discípulos fossem de barco para o outro lado enquanto ele despedia as multidões e subia ao monte para orar. De madrugada, viu os discípulos remando com dificuldade contra o vento e foi até eles — caminhando sobre o mar. Ao vê-lo, ficaram aterrorizados, pensando ser um fantasma. Jesus disse: "Tende bom ânimo; sou eu, não temais" (Mt 14.27). Pedro pediu para ir ao encontro dele sobre as águas, saiu do barco e andou — até que olhou para o vento e afundou.
O Peixe e o Ministério em Cafarnaum
Cafarnaum, às margens do Mar da Galileia, foi a base do ministério galileu de Jesus. Ali ele curou o filho do oficial real, o servo do centurião, a sogra de Pedro, o paralítico descido pelo telhado e um homem com a mão ressequida. Na sinagoga de Cafarnaum, proferiu o discurso do Pão da Vida (Jo 6) — que causou a saída de muitos seguidores.
A Restauração de Pedro
Depois da ressurreição, João 21 narra um café da manhã às margens do Mar da Galileia. Jesus aparece aos discípulos enquanto pescavam. Após uma noite infrutífera, ele os instrui a lançar a rede do lado direito — e ela fica tão cheia que mal conseguem puxá-la. João reconhece Jesus; Pedro se lança ao mar. À beira do fogo, Jesus pergunta três vezes: "Simão, me amas?" — e três vezes recomissiona Pedro: "Apascenta as minhas ovelhas." As três perguntas cobriram as três negações. O mesmo lago onde Pedro foi chamado foi o lugar onde foi restaurado.
O Mar da Galileia permanece hoje como um dos destinos de peregrinação mais visitados do mundo. Sua água ainda é a mesma que Jesus tocou, que seus discípulos pescaram, sobre a qual ele caminhou. Há algo na contemplação daquelas águas que aproxima o visitante moderno dos eventos que ali ocorreram há dois mil anos.
O Mar da Galileia Hoje
O Mar da Galileia permanece hoje como um dos destinos de peregrinação mais visitados de Israel. Suas águas ainda abastecem boa parte do país através do sistema nacional de aquedutos. Cafarnaum, Tabgha (local tradicional da multiplicação dos pães) e o Monte das Beatitudes estão todos às suas margens, formando um circuito de memória do ministério galileu de Jesus. Há algo incomum na experiência de estar às margens do Mar da Galileia: o lago é pequeno o suficiente para ser completamente visível de um ponto elevado, mas grande o suficiente para criar tempestades repentinas e perigosas. A mesma água que Jesus calmou ainda existe. A mesma paisagem que seus discípulos viram ainda está lá. É um dos raros lugares onde a distância de dois mil anos parece encolher.
A barca dos discípulos no Mar da Galileia tornou-se, na tradição cristã, metáfora da Igreja atravessando as tempestades da história. A pergunta dos discípulos — quem é este? — continua sendo a questão central de toda a fé. E a resposta que o Mar da Galileia oferece é a mais dramática possível: aquele que o vento e o mar obedecem. Conhecer essa resposta não é apenas informação teológica — é a âncora que segura a barca nas tempestades.